terça-feira, 27 de novembro de 2012

Peça de Teatro

          Não sou crítica de teatro, nem pretendo ser, mas não poderia deixar de expressar minha opinião com relação a uma peça que assisti hoje.
          O texto escrito, apresentado e produzido por alunos da rede estadual de ensino, contava a história de duas famílias que passavam por situações iguais, porém, resolvidas de maneira diferente como, por exemplo, pela manhã o modo que cada família acorda e dá um leite para um bebê, ou como quando o marido chega em casa, pela família rica é tratado com striptease, já com a família pobre ele chega bebado e, lógico, a esposa não o recebe bem. O encerramento dá-se quando é tocada a música Pobre x Rico, coreografada por eles.
        Acho louvável a atitude dos alunos em produzir um espetáculo e penso que não devem parar, contudo, é necessário que haja um acompanhamento para que a arte, que tem como função desenvolver o ser humano nas dimensões éticas, estéticas, contribuindo para a transformação social e trazendo conhecimento e cidadania não exerça ação contrária.
         A peça reforça alguns preconceitos existentes, respaldando-os de maneira assutadora. Ressalto-lhes indagações que me vieram ao assistir as cenas: por que colocam o filho do pobre é homossexual e do rico não? Por que seus figurinos são rasgados, sujos e a maguiagem deixa-os com aspecto negativamente imundo?  Por que vincular o pobre com falta de higiene?
          Durante o enredo o filhos do rico e do pobre perguntam sobre o que é "ditadura", a mãe do rico sabe responder prontamente, mas, a mãe do pobre faz piada, dizendo que "ditadura" era "a dita dura do tio". Só me leva a crêr que foi para forçar o riso, e, falando nisso, é uma comédia apelativa que lança mão de jargões dos programas de humor televisivos.
          Perguntei a um dos componentes quem era o professor de arte da escola e ela respondeu imediatamente "não tem".
         Como pode uma escola não ter professor de arte? 
        Era notável a inocência deles ao apresentar, a empolgação por estarem fazendo teatro na Secretaria de Educação. A platéia gargalhava... E eu ali, assitindo a tudo e me fazendo mil perguntas e condoída com a situação. 
      A pureza daqueles adolescentes, o brilho nos seus olhos em fazer teatro, o orgulho de terem feito uma peça sozinhos, a vontade de estar no palco, representar era tão inebriante...
          Não podemos deixar que essa vontade cesse, mas como resolver um problema do Estado, que não contrata professores de Arte para, junto com os alunos, produzirem espetáculos, show musicais, enfim... 

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